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Nessie

Este blog é sobre tudo e nada (a parte não filosófica da questão).

Nessie

Este blog é sobre tudo e nada (a parte não filosófica da questão).

Irmã.

A minha irmã nasceu tinha eu 3 anos. Não foi fácil para mim, pequenina como era, perceber a vinda daquele bebé. Perder a exclusividade custa a todos. 

 

Lembro-me do dia em que ela nasceu como se fosse hoje. Lembro-me de tentar ir ver a minha mãe ao hospital e a senhora que estava na recepção me dizer: "Fecha os olhos e verás.". Não sei se foi por isto que a senhora me disse ou se foi por ser o primeiro episódio significativo da minha vida, que é a partir desse dia que tenho recordações. Não me deixaram ver a minha mãe. Ainda bem que as coisas já evoluíram de maneira a que a minha Leonor me possa ir ver, e ver a mana. 

 

A minha irmã foi, até ao momento do nascimento da Leonor, a coisa mais importante na minha vida. Talvez por isso não conseguia conceber a ideia de ter uma filha única. A ideia de que as minhas filhas ter-se-ão sempre uma à outra, aconteça o que acontecer. O amor que lhes vou dar a conhecer é único. A Leonor terá de se "portar bem" toda a vida, pois a Maria olhará sempre para ela como um exemplo a seguir. Comigo foi assim. Nunca fiz disparate nenhum, pois se fizesse a minha irmã iria fazer também. Foi uma condicionante muito importante na minha formação. 

 

Claro que haverão ciúmes...comigo também houve. E é bom que assim seja...significa que eu estava a dar toda a minha atenção à Leonor e que agora estou a dividi-la. Não percebo aqueles pais que dizem que os filhos não tiveram ciúmes quando nasceu o irmão mais novo. Claro que haverão brigas, discussões...eu ainda tenho a marca de uma dentada da minha irmã...claro que não estou à espera que corra tudo bem...isso é que não era normal. Os meus pais nunca se meteram entre nós nestes momentos, deixaram-nos resolver as coisas sozinhas. Nunca deram razão a nenhuma, e mesmo nos dias em queestávamos chateadas a minha irmã ia dormir comigo, porque assim lhe acalmava o medo que tinha da noite. 

 

Adoro a minha irmã e ainda hoje temos uma relação extraordinária. Daquelas que não se vêm muito por aí. Cada uma tem a sua vida, mas não passa um fim-de-semana em que não estejamos juntas.

 

Se eu puder escolher alguma coisa na minha vida, quero que as minhas filhas se dêm sempre como eu e a minha irmã. A minha mãe diz, a brincar com o facto de eu ser psicóloga, que acertou em alguma coisa na nossa educação. E acertou, em mais que uma. Mas eu estou tão grata por ter uma irmã. Espero que a Leonor ultrapasse tudo como eu ultrapassei e se sinta mais rica por ter uma irmã. 

 

Beijinhos

 

 

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